domingo, 13 de dezembro de 2015

Injustiça Um insulto às bananas. Por alguma razão, “banana” se transformou em sinônimo de burrice, de ingenuidade irreversível

O debate político no Brasil entrou no fértil terreno dos hortifrutigranjeiros. Na discussão sobre a formação da comissão que decidirá sobre o impedimento ou não da Dilma, deputados se xingaram de “banana”. E o ar da nossa augusta Assembleia Nacional, onde outrora ecoaram as vozes de grandes oradores em embates históricos, foi entrecortado por epítetos ferozes.

— Banana!

— Banana é vossa excelência!

— É vossa excelência!

Um insulto às bananas. Por alguma razão, “banana” se transformou em sinônimo de burrice, de ingenuidade irreversível. Poderia muito bem ser substituída por outro termo, como “babaca” ou “boca aberta”. Ou por outra fruta ou legume, notoriamente sem conteúdo.

— Chuchu!

— Quiabo!

— Quiabo não!

A banana teve um papel importante na evolução humana, e não apenas pela sua quantidade de potássio. Dizem que descascar uma banana e descobrir seu insuspeitado interior palatável foi uma das primeiras conquistas do homem primitivo. Descascar uma banana e comê-la pode muito bem ter sido um começo, tão importante quanto a invenção da roda, do processo de civilização. Não seria exagero dizer — baseado no que se tem visto no país, nos últimos dias — que a banana tem mais valor histórico e utilidade do que boa parte dos políticos brasileiros.

O debate político no Brasil atual também incorporou um gesto muito comum em filmes americanos de uma certa época: atirar bebida na cara do adversário. O que há tempo não se via no cinema aconteceu há dias em Brasília, se é que não se trata de mais uma notícia sub-reptícia espalhada pelo japonês bonzinho.

A Kátia Abreu atirou vinho na cara do José Serra. Não tenho detalhes do ocorrido (marca do vinho, safra etc). Mas não me surpreendi. Ouvi dizer que na linha de sucessão ao Planalto, se a Dilma e o Temer caírem juntos, o Cunha for preso e alguma coisa acontecer com o Renan, há até o perigo de assumir a Presidência o Tiririca! Nada mais me surpreende.


Luis Fernando Veríssimo
escritor

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

"A crise é mais forte, mas não significa que o mundo vai acabar", diz João Carlos

Empresário participou nesta terça-feira (01) de debate com Geraldo Freire,
na Rádio Jornal

Como faz tradicionalmente há 25 anos, o presidente do Grupo JCPM, João Carlos Paes Mendonça, participou de debate com Geraldo Freire, na Rádio Jornal. A conversa nesta terça-feira (1º) contou com participação do editor de Economia do JC, Saulo Moreira, e da diretora de Jornalismo da Globo Nordeste, Jô Mazzarolo. Bem-humorado, o empresário falou sobre crise econômica e política, carga tributária, legado da Copa 2014, infraestrutura e mobilidade.


“O resultado da Copa me surpreendeu para pior. Sou um otimista bem formado. Antes de decidirem construir a Arena Pernambuco eu já dizia que ela não era necessária. Não sou tricolor, mas defendia que um ajuste no Arruda já resolveria o problema para a Copa. O resultado foi que o pernambucano não se beneficiou”, diz.

Com vivência de várias crises, João Carlos se diz preocupado com a dimensão que a recessão está tomando. “Desde os anos 60, quando ainda era muito novo, enfrentei várias crises. Vi a inflação mensal chegar a 84%, mas acredito que essa é a pior situação do último século. Além da inflação, temos outros componentes como desemprego, corrupção e desespero na política. Há uma crise de competência forte”, afirma.

João Carlos observa, ainda, que o ambiente é de desestímulo ao empresariado, em função da desaceleração econômica e da alta carga tributária. Se o empresário não investe não há geração de emprego e renda”, assevera. Ele afirma que o empresariado está apático e se posicionando pouco. “O brasileiro precisa se indignar. Antes os empresários contestavam o governo, mas agora é difícil ver lideranças se colocando e tendo consciência do seu papel”, destaca.

Durante o debate, João Carlos respondeu a perguntas dos ouvintes e terminou a conversa mantendo seu sentimento de otimismo. “A crise está mais forte, mas não significa que o mundo vai acabar. É preciso trabalhar, investir e não ser perdulário com os gastos”, dá seu recado.